Tenho seguido com crescente preocupação o que se está a passar com a avaliação dos professores. O princípio da avaliação do desempenho profissional parece-me indispensável em todas as áreas de actividade, e o ensino não é excepção. Por isso me senti inicialmente pouco inclinado em simpatizar com a união dos professores na recusa deste processo de avaliação. No subtexto, parecia-me por vezes detectar que por trás da recusa deste processo, estava a recusa de qualquer tipo de avaliação.

Mas o que tenho vindo a descobrir vai no sentido de dar razão à revolta dos professores. A uma reestruturação da carreiras que foi sentida como injusta veio acrescentar-se uma avaliação burocrática, ambígua, e inútil – a sua inutilidade é alias reconhecida pela própria decisão de adiar os seus efeitos para as calendas socráticas.

É verdade que mais vale haver uma má avaliação do que não haver avaliação nenhuma. Mas neste momento arriscamo-nos a que não haja avaliação nenhuma por se ter tentado impôr um péssimo modelo de avaliação. Arriscamo-nos a que se radicalizem contra a avaliação mesmo aqueles que à partida concordavam com ela. Arriscamo-nos, não a que tudo fique na mesma, mas sim a que tudo fique pior, e mais difícil de reformar. Quem vai assumir a responsabilidade por este falhanço?