O João Galamba e o Daniel Oliveira já me tinham advertido. Eu admiti que fosse possível, mas lá no fundo ainda tinha esperança. Agora tenho de reconhecer que me enganei: o Pedro Sales não é um génio. É apenas um de nós, que por vezes ao tentar argumentar as suas convicções se espalha ao comprido e é obrigado a encontrar formas elegantes de se desdizer – de preferência contra-atacando. Perdi um maître-à-penser, mas ganhei um semelhante.

Ainda assim, estou desiludido com este desenlace: afinal outro mundo não é possível. Afinal vivemos mesmo num Mundo onde as promessas não criam dinheiro. Quanto muito, promessas contratualizadas criam obrigações de pagamentos futuros para os contraentes do contrato. Acontece que uma promessa politicamente garantida não é uma promessa contratualizada. É uma promessa unilateral do Estado, que o Estado pode rever a todo o tempo. E tem revisto, em geral no sentido de aumentar as obrigações dos contribuintes e diminuir as prestações do Estado.

Por isso eu continuo a perguntar: neste mundo cão onde o dinheiro não nasce nas árvores nem na boca dos políticos, qual a melhor forma de garantir que todos têm direito a receber pensões decentes depois de uma vida de trabalho?