Caro João Galamba, é possível que eu não faça a mais pálida ideia do que raio estou a falar, como alguém elegantemente sugeriu. E creia bem que agradeço o préstimo que teve em me recordar – e já agora, a toda a direita – como funciona o mercado. De tanto decorar as cotações da Bolsa no Jornal de Negócios, a memória vai-nos falhando para o resto…

Mas se me permite a insistência, estou em crer que o João Galamba subestimou a genialidade de Pedro Sales. É que eu vejo no conceito saliano de dinheiro-promessa algo de fundamentalmente diferente do já clássico  conceito fiduciário de dinheiro, a que o João acertadamente se referiu como “um dos pilares fundamentais de qualquer mercado de capitais”. Pedro Sales não se limita a referenciar esse conceito aborrecidamente positivista: vai muito mais longe, introduzindo uma dimensão de simultaneidade intertemporal que transgride a temporalidade hegemónica das sociedades capitalistas. É este o golpe de génio.

Repare que Pedro Sales não diz “há uma promessa de que o dinheiro venha a existir no momento em que é devido ao pensionista”. Não: isso seria demasiado fácil! O que Pedro Sales afirma é “o dinheiro existe. É a promessa”. Uma evidência para Pedro Sales, mas uma verdadeira revolução copérnica para a ciência monetária. Na realidade, para toda a ciência económica.

Agora sim, também eu acredito que um outro mundo é possível. Um mundo em que dinheiro futuro – pela mediação de uma promessa – ganha existência no presente. Vou já experimentar à hora de almoço.