Sintonizei a SIC-Notícias ontem à noite a tempo de assistir aos minutos finais do frente a frente entre Pedro Passos Coelho e Fernando Rosas. Quando instado a pronunciar-se sobre a situação interna no PSD, Passos assumiu o óbvio: um putativo Congresso em Janeiro ou Fevereiro, a cinco ou seis meses de eleições,  apenas serviria para sinalizar aos portugueses que o partido nem sequer se consegue organizar internamente, quanto mais governar o País. E reafirmou que a sua disponibilidade é para ajudar o PSD a ter o melhor resultado possível em 2009, nunca para participar em qualquer ambiente de desestabilização da direcção do Partido.

Sinceramente, tenho pena que coisas destas tenham que ser ditas com todas as letras. Mas num momento em que abunda o ruído, a sede de protagonismo, a ambição desregrada, a verdade é que com estas declarações Pedro Passos Coelho mostrou-se senhor de uma postura que vem rareando no PSD: a capacidade  de  se abstrair das perturbações do momento e de olhar para além do horizonte imediato, distinguindo o essencial do acessório. São estas tomadas de posição que também vão permitindo aos militantes distinguir cada vez melhor quem é essencial e quem é acessório para a vida do partido. E continuar a acreditar.