Estive em Castelo de Vide ontem, onde recebi o meu diploma de participação na Universidade de Verão 2007, e onde também pude ouvir o tão esperado discurso de Manuela Ferreira Leite. Regressado a casa, passei os olhos pela bloga e vi apreciações para todos os gostos: desde quem acha que nada de novo foi dito até quem viu no discurso um fortíssimo ataque ao Governo. As duas têm o seu quê de verdade. Mas estranhei que aquilo que mais me impressionou no discurso da líder do PSD não tivesse sido já comentado.

A mim que estava naquela sala, pareceu-me evidente que Manuela Ferreira Leite  procurou estabelecer um contraste vivaz entre José Sócrates e ela própria – mais até do que entre PS e PSD – ao nível da estatura moral. Lido à luz do resto do discurso, o intróito sobre “a percepção de que os políticos deixaram de ter no centro das suas preocupações os cidadãos e os seus problemas, para passar a considerar sobretudo os seus interesses partidários ou pessoais”, aparece claramente direccionado para o primeiro-ministro, useiro e vezeiro em “fazer política com o recurso permanente a promessas”.

Esta é uma estratégia que faz sentido. O prestígio do PM já conheceu melhores dias na sociedade portuguesa, e não apenas em virtude dos medíocres resultados da sua governação. Não estando esta direcção do PSD vocacionada para uma diferenciação abrupta – salvo seja -  no domínio das políticas propostas, a personalização da disputa eleitoral afigura-se como o ângulo de ataque mais viável. Será interessante ver como o animal feroz vai reagir.