Ao contrário do que José Sócrates declarou na Assembleia da Republica, o Estado não está frágil. O Estado simplesmente esvaziou-se das suas funções tradicionais, o que levou a que os mais fracos não só ficassem ainda mais fracos como a que se instaurasse um sentimento de impunidade. Este é o Estado que não só não consegue ter uma justiça credível como fez da negação do crime uma verdade oficial. Um Estado que reduziu os cidadãos à condição de contribuintes. Um Estado que não consegue ter um discurso adulto e claro sobre o papel das suas forças armadas. O Estado que detesta as pequenas e médias empresas mas que adora atribuir estatutos PIN à meia dúzia dos seus eleitos.
Helena Matos, no Público. Transcrito no Blasfémias. Destaques meus.