Quando alguém diz que a verdade não deve ser um valor absoluto em política, cai o Carmo e a Trindade. O problema é que… essa é que é a verdade. Que o diga o assessor de John McCain, que ao dizer uma verdade – isto é, que um atentado análogo ao 11 de Setembro beneficiaria o seu candidato – levantou uma tempestade política.

Voltamos à velha questão weberiana da ética de convicção vs. ética da responsabilidade. O agente político tem de ter consciência do efeito performativo da linguagem. A apreciação da linguagem como acção é o único fundamento legítimo à supressão de elementos verazes do discurso político. Mas se os impactos negativos da veracidade justificam certos silêncios, será que os impactos positivos da falsidade podem justificar o uso da mentira?